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quarta-feira, 15 de junho de 2016
O nosso ultimo verão
Escolho este excelente "traço" rápido com que o pintor Rogério Chora retratou o meu pai para me despedir dele e dos nossos "dias do café Arcada". Quando fiz este último desenho fazia um dia que parecia verão. O nosso último verão.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
quarta-feira, 1 de junho de 2016
quarta-feira, 25 de maio de 2016
domingo, 22 de maio de 2016
terça-feira, 17 de novembro de 2015
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Um coelho chamado amor
O meu pai, que tem Alzheimer e
perto de 90 anos, dedicou os últimos 30 anos da sua vida à escultura, aos
esboços e ao amor que sentia pela minha mãe e que era mútuo, tenho a certeza.
A minha mãe faleceu há cerca de
quinze dias. Optámos por o tranquilizar deixando-o na sua zona de conforto que
é o esquecimento.
As visitas ao lar onde se
encontra, claro, duplicaram, pelo que os meus “dias do Café Arcada” se
intensificaram, assim como os desenhos. Gosto das suas críticas porque lhe
brotam de dentro.
Hoje, contrariamente ao habitual,
dado a minha inaptidão para rostos, decidi inclui-lo num dos meus desenhos e
ainda por cima panorâmico e a preto e branco.
Instado a responder-lhe se “aquele”
era ele, ao pé do copo de leite com a palhinha, hesitei e, pela primeira vez,
porque o incomoda não se reconhecer nos desenhos, disse-lhe que não, que era
inspirado num caçador. Não vês que está a olhar para o coelho escondido atrás
das flores? aleguei, em fuga.
Voltou a olhar para o caderno,
fez um silêncio enorme e acrescentou: gosto muito destes desenhos teus Zé
(quando me chama zé em sinal de reconhecimento derreto-me todo), mas para te
ser sincero punha as cores, e já agora estou farto de olhar e não consigo ver nenhum coelho.
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Os dias do café Arcada
Estes quatro desenhos foram feitos
em alturas diferentes, embora todos a partir da esplanada da pastelaria Arcada,
situada no Montalvão em Setúbal, um bairro tranquilo e característico da classe média da
2ª metade do século XX e que, à semelhança de tantos outros, já conheceu dias
melhores.
A razão da minha atração pelo
local deve-se ao facto de o meu pai, com noventa anos, estar num lar que fica perto.
Há alguns anos que interrompo as férias para que não se sinta demasiado sozinho.
Depois parto outra vez, mas não é a mesma coisa. Os meus irmãos fazem o mesmo, alternadamente.
Trago-o com frequência na sua
cadeira de rodas à esplanada. Observamos o “drama” dos jogadores de cartas,
mostro-lhe os desenhos que fiz ou ele observa atentamente os que estou a fazer,
ouço as suas críticas. Sabe-me bem.
Se fosse um filme intitular-se-ia “Os dias do Café Arcada”. Disso tenho a certeza.
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